Corridas Virtuais - a moda dos próximos meses

As corridas virtuais têm-se multiplicado nas últimas semanas e acredito que seja uma realidade que nos acompanhará nos próximos meses, tendo em conta que a pandemia se manterá por largos meses até que haja de facto uma solução mais definitiva - vacina ou outra semelhante. 

Imagens como esta voltarão a acontecer, resta saber dentro de quantos meses (ou anos...)

Não sou a melhor pessoa para opinar sobre o assunto, mas não acredito que as provas regressem tão cedo. A melhor prova disso é o facto de ultramaratonas, em que o número de participantes é consideravelmente mais baixo (muitas abaixo de 100 / 200 participantes), terem sido igualmente canceladas, como é o caso Ultra Maratona Caminhos do Tejo, onde poderiam ser implementadas medidas de distanciamento social com maior facilidade e ainda assim não foi permitida a sua realização.

Assim, para os próximos meses, para quem de facto gosta e "vive" do bichinho da competição, a melhor alternativa será as Corridas Virtuais. Estas têm-se multiplicado, sendo muitas delas grátis e outras com com objetivos solidários.

Pessoalmente, gosto do conceito de uma corrida que podemos realizar em qualquer local, com horário flexível e com um percurso definido por mim. Obviamente que se me derem a escolher entre uma prova nos moldes habituais e uma corrida virtual, a escolha é simples, mas não podendo ter o ótimo, vivo bem com o que é possível.

Por esse motivo já participei em três Corridas Virtuais desde o início do período de confinamento, todas elas de 10kms. 

A primeira foi o Challenge do 7º Aniversário do GFD Running, que partilhei aqui no blog, onde fiz o tempo de 34:31 (5º lugar). 

A segunda foi a Meia ou Mini Maratona de Belmonte - cada um por si organizada pelos amigos do CCDR Colmeal da Torre - Atletismo, com o tempo de 38:19 (4º lugar), uma semana depois do desafio dos 100kms em 48h, tendo evitado andar demasiado rápido e ainda assim entusiasmei-me :)



A terceira aconteceu na semana passada, a Corrida da Amizade, onde fiz o tempo de 36:16, após ter feito um treino de 30kms no dia anterior. Admito que foi uma loucura ter puxado tanto depois do esforço do dia anterior, mas "quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga"... Apesar de tudo, o tempo foi bastante bom e permitiu obter o 3º lugar em mais uma corrida virtual.




Entretanto muitas outras corridas virtuais terão lugar nas próximas semanas e seguramente quererei participar numas quantas, seja pelo simples prazer ou para tentar fazer um "treino rápido". 


Se preciso destas provas para me motivar a correr? Não, até porque continuei a treinar no período de confinamento, apenas diminui um pouco a intensidade dos treinos e aproveitei para desfrutar da corrida. Quem não gosta de correr os kms que quer, no percurso que lhe apetecer e ao ritmo que lhe convier? 

Ainda assim, estas corridas acabam por dar um boost adicional para querer "puxar" um bocadinho mais pelo corpo! E podem crer que é um desafio extra tentar fazer 10kms a ritmo de prova sem que tenhamos uma referência à nossa frente ou lado, a adrenalina não é a mesma, o que implica, na minha perspetiva, um esforço mental adicional, o que é um excelente para quem, como eu, gosta de se superar.

O melhor destas provas é que podemos participar em várias no mesmo dia com a mesma atividade! E acreditem, começarão a aparecer várias por dia, como acontecerá já dentro de uns dias. 

Portanto, aproveitem estas provas para matar saudades e também, por que não, contribuir para uma  boa, como acontece com algumas destas, que se encontram a angariar fundos para doar a instituições sem fins lucrativos.

Deixo algumas das provas que tenho neste momento conhecimento que decorrerão nas próximas semanas:

1 - Virtual Races - Maratona Clube Portugal: no decorrer das próximas 7 semanas terão lugar 7 corridas virtuais todas elas grátis:
22-24 maio: EDP 10K Virtual Race
29-31 maio: Vodafone 5K Virtual Race
05-07 junho: Luso 10K Virtual Race
12-14 junho: Jogos Santa Casa 5K Virtual Race
19-21 junho: Renault 10K Virtual Race
26-28 junho: CME 5K Virtual Race
03-05 julho: Mimosa 10K Virtual Race
Irei participar nas 7, claro!

2 - Corrida para a Vida: decorre no dia 31-maio entre as 10h-12h, com 100% do valor dos donativos a ser entregue à Liga Portuguesa Contra o Cancro - Núcleo Regional do Norte,

3 - Maratona Virtual Solidária - Run Porto: decorre nos dias 30 e 31 de maio, com um custo de 10€, em que uma parte (julgo que não especificada) reverte do valor para a Cruz Vermelha Portuguesa. A distância percorrida fica ao critério de cada um, apesar do nome ;)

4 - Kilómetros Virtuais (Bombeiros Voluntários de Odivelas): decorre no dia 31-maio entre as 8h-12h, com 100% do valor dos donativos a ser entregue aos Bombeiros Voluntários de Odivelas.
Também irei participar nesta prova ;)

5 - E ainda, para quem gosta de fazer maratonas, pode encontrar na 26virtual mais de 20 corridas virtuais com a distância, que substituem as provas que teriam lugar em 2020, podem até fazer duas num fim de semana, fica a ideia ;)

Seguramente muitas mais corridas virtuais existem ou estão a ser planeadas, é uma questão de tempo até que se proliferem, pelo que diversão não faltará, é aproveitar!

Boas corridas (virtuais ou não)!
Pedro Amaro

Desafio 100kms em 48 horas

100kms... um número mágico no mundo das ultramaratonas. Muitos corredores definem um ultramaratonista apenas após fazer uma prova com pelo menos 100kms, ao invés do habitual conceito da distância superior à maratona, 42,195kms.

Depois de concluir as minhas primeiras duas maratonas (Maratona da Europa e Maratona de Valência), comecei o ano a pensar em experimentar uma distância relativamente superior. O meu foco virou-se para uma prova na qual já participaram dois ou três amigos e que julgo ser também a primeira prova de que eu ouvi falar que ia além da maratona, a Ultra Maratona dos Caminhos do Tejo. Esta prova possui duas distâncias, 57kms e 144kms. A participar seria sempre na distância mais curta, que me parecia uma excelente opção para saber o que é correr além dos 42km.

E assim avancei para a inscrição nesta prova, a 31 de dezembro de 2019, realizando-se a prova a 13 de junho. Com a pandemia do COVID-19, esta prova não se realizará este ano, pelo que este "sonho" ficará adiado por mais um ano, o que não me deixa de maneira alguma aborrecido, acredito até que será melhor porque terei mais um ano de experiência de corrida, o que fará com que chegue melhor preparado para alcançar esse objetivo.

Com o COVID-19 as provas foram todas adiadas / canceladas, tornando-se os treinos apenas um modo de desfrutar a corrida.

O ar de felicidade de quem corre :)
O ar de felicidade de quem corre é este 😃

A origem do desafio...

Até que neste fim de semana prolongado de 1 a 3 de maio decidi fazer o que mais poderia assemelhar-se a uma ultramaratona sem, contudo, o ser. Contextualizando, há cerca de dois meses encontrei um desafio de corrida que achei deveras interessante. Esse desafio da autoria de um ultramaratonista norte-americano e um grande exemplo de alguém com uma força mental incrível, David Goggins, consistia em realizar treinos de 4 milhas de 4 em 4 horas por um período de 48 horas, totalizando 48 milhas no total (cerca de 77kms).

Apesar de não achar muito apelativo fazer um treino com estes números, gostei muito do conceito, uma vez que permitiria dar uma ideia a alguém como eu, que nunca fez mais de 42kms, a sensação de correr muitos mais kms num curto espaço de tempo. Obviamente que não é possível simular o desgaste físico de uma ultramaratona, mas permite pelo menos ter uma ideia do que é colocar no corpo o impacto de algumas dezenas de kms a mais do aquilo a que está habituado.

Toda esta descrição para tentar enquadrar o desafio que defini para este último fim de semana. Quando tive a confirmação de que não poderíamos sair do nosso concelho de residência neste fim de semana, foi precisamente nesse momento que este desafio, que estava guardado apenas na minha memória, ganhou outra "forma"... depois de fazer algumas simulações do número de treinos, do número de kms por treino e o número de horas entre treinos, cheguei à seguinte "fórmula":


Este desafio parecia-me, dentro da loucura que era, o mais equilibrado, uma vez que eram "apenas" 8 treinos de 10kms e tinha um intervalo relativamente bom para descansar entre treinos, dando um volume interessante de kms no final das 48h.

Com esta minha "cábula", dia 26-abril à noite partilhei a ideia com alguns amigos. Uns não podiam, outros achavam demasiados kms, mas um outro grupo achou a ideia muito boa! Esse grupo é o CCDR Colmeal da Torre - Atletismo, um clube de atletismo do Concelho donde sou natural, Belmonte, e por quem já tive o prazer de fazer algumas provas na zona.

Esta recetividade ao desafio proposto só me deu mais força para avançar. Minutos depois informo a minha mulher, a Liliana Emílio, sobre os meus planos. Um bocado a medo (já sabem como é 🙈), mas a verdade é que a notícia foi muito bem aceite, para minha surpresa! Ora, todos os astros se alinharam para eu avançar... 😃

No dia seguinte, após algumas horas a pensar novamente no assunto, cheguei à conclusão que o desafio teria de ser diferente. 80kms não tinha lógica nenhuma! Depois de analisar melhor e reformular o que tinha pensado anteriormente, surge a "fórmula" final:

#100kmsin48hours

Se é para fazer, que seja para ser algo grande, que sejam três dígitos! Assim nasce o desafio dos 100kms em 48 horas...

O percurso...

Outro aspeto que tive de pensar foi relativamente ao percurso. O meu objetivo passava por correr o mais perto de casa possível, evitando treinos de ida e volta, até porque se o fizesse teria de considerar o sobe e desce constante que a zona onde tenho corrido nas últimas semanas tem.
Assim, queria um percurso relativamente plano e perto de casa, pelo que a escolha recaiu sobre o mesmo percurso que tinha feito aquando o desafio do 7º Aniversário do GFD Running do fim de semana anterior (Challenge GFD Running 7º Aniversário - Regresso às "provas").

Este percurso consiste num circuito com cerca de 640 metros, é relativamente plano, apenas com uma pequena subida.

Percurso para os 100kms em 48 horas

Deixo o direto feito pela Lili que permite ter uma noção do circuito:

Este percurso tem apenas uma desvantagem que eu encarei como mais um desafio, a componente mental de estar a correr sempre no mesmo local, o que ainda tornou tudo mais "desafiante" 💪

Partilha do desafio...

Com o "plano de festas" definido, comecei a pensar se devia publicar este desafio nas redes sociais, uma vez que não sabia até que ponto seria algo bem aceite (é um desafio muito longo, muitas horas...), pelo que compreenderia que fosse colocado em causa. Mas decidi publicar e ainda bem que o fiz porque gerou uma onda de apoio e de outras pessoas que acabaram por também participar, o que foi realmente incrível!

Deixo o post onde publiquei o que ia fazer. A foto é muito boa 😁 (foto do GP do Atlântico dos amigos RUN 4 FFWPU)

Chegou o dia! Dia 30-abril

Após mais um dia de trabalho a partir de casa, começa toda a preparação para o desafio mais longo que já fiz na corrida. Entre preparar roupa, planear refeições, preparar outro quarto onde iria "dormir" para não incomodar nem ser incomodado, o tempo passou e de repente estava prestes a deitar-me para tentar descansar 1 ou 2 horas antes de começar.

Alarme definido para as 23:30 e siga dormir por volta das 21h30. Após uma série de voltas na cama, não estando fácil adormecer devido à ansiedade do desafio, lá acabei por adormecer... e de repente começa a vibrar o relógio! Sonolento, acordei para a realidade! Estava na hora de começar este longo desafio!

Podem não acreditar, mas naquele momento arrependi-me logo de me ter metido nisto 🙈 ter de sair de casa para ir correr àquela hora não me estava a parecer nada bem, mas lá teve de ser 😀

Dia 1-maio - 00h00: 1º treino! 

Felizmente o facto de haver um grupo de amigos que estava junto, a querer desafiar-se a concluir este desafio, com mais ou com menos kms no plano, acabou por ajudar a manter-me motivado e a querer levar esta "missão" em frente!

Levanto-me, equipo-me, bebo água, preparo o cinto de hidratação e saio para a rua, que está deserta, livre para correr. Um pouco de frio, mas nada de especial... tiro a foto da praxe, aqueço e aguardo pelas 00:00:00 do dia 1 de maio... Chega a hora e arranco rumo ao meu percurso que dista apenas 250m de casa, onde vou dar as primeiras 19 voltas de muitas que ainda teria de dar!

À medida que os kms passam, começo a reparar na frequência cardíaca em torno dos 130/135 bpm, o que não é normal quando corro em a ritmos de 4'40'/4'45. Achei mesmo estranho, mas talvez por ter acordado e estar a correr à noite possa ter causado esse pequeno aumento, embora não fosse nada de preocupante nessa altura...

Tal como tinha definido, ia hidratar-me aos 5km, aos 10kms e no final do treino. Não queria de maneira alguma fazer como costumo fazer na maioria dos treinos em que não bebo água, a não ser no final quando chego a casa. Tendo em conta tratar-se de uma experiência diferente, com condições diferentes e com uma duração muito grande, queria garantir que não teria problemas com hidratação.

Acabo este primeiro treino com sensações q.b., não me sentia mal, mas não estava propriamente muito confortável. Sendo apenas o primeiro de oito, não fico propriamente muito satisfeito, mas com o avançar do tempo poderia ser que as sensações melhorassem, o que de facto veio a acontecer...

Atividade no Strava:


Finalizado o treino, hora de voltar a casa, comer um iogurte, e ir para a cama para descansar o máximo que puder. Mas simplesmente não conseguia dormir, voltas e mais voltas na cama, estava com demasiada adrenalina para adormecer. Chegam as 5h30 (hora do alarme) e já estava a vestir-me...

Dia 1-maio - 06h00: 2º treino

Como um pequeno pão com manteiga de amendoim e rapidamente saio de casa novamente para o segundo treino. Decidi fazer uma mudança face ao primeiro treino, onde usei as sapatilhas Saucony Freedom Iso 2 e a partir deste segundo treino usei sempre as New Balance Fresh Foam Beacon. Foi uma mudança para bem melhor. Senti-me muito mais confortável com estas sapatilhas (ou ténis, como lhes preferirem chamar 😀).

Exceção feita às sapatilhas, relativamente ao primeiro treino as sensações não mudaram muito, não me sentia propriamente confortável para correr e estava a sentir isso na frequência cardíaca, que tinha aumentado, rondando os 140 bpm para ritmos de 4'40, o que não é normal face ao meu histórico.

Apesar de tudo, acabei o treino com um tempo semelhante ao do primeiro treino, o que não estava nada mal.

25% estava feito! Faltavam ainda 75%...

Atividade no Strava:

Um dos cuidados que tive sempre ao longo destes oito treinos foi com o aquecimento e alongamentos. O meu receio em me lesionar numa aventura destas era muito e tudo o que pudesse fazer para evitar essa situação, iria fazer.

Após voltar a casa, hora de comer uma banana e tomar proteína antes de ir tentar dormir. O que mais uma vez acabou por não acontecer, sendo mais umas horas na cama. Apesar disso, o corpo acaba por descansar algo, mas a mente não...

Os meus olhos já indicavam que precisava de dormir...

Após este segundo treino senti uma pequena impressão no joelho direito, o que me deixou algo preocupado. Não era dor, mas um desconforto, o que começou a "mexer" comigo, porque sabia que ainda faltavam 75 kms para meter nas pernas. Por isso começo mesmo a ficar mais preocupado e a pensar que caso me começasse mesmo a doer, teria de parar. Felizmente não veio a acontecer e ao longo de todos os treinos não tive qualquer dor, apenas surgia um certo desconforto quando arrefecia, mas acabou por não ser nada 🙏

Dia 1-maio - 12h00: 3º treino

Finalizado mais um período de "descanso", levanto-me às 11h00 e deparo-me com uma enorme taça de aveia que a Lili fez! Mesmo a calhar porque era o que estava a precisar, uma vez que desde o jantar do dia anterior não comia uma refeição a sério e depois de 25kms o corpo estava a pedir. Para além disso, tomei também magnésio e comi iogurte com spirulina.

No que toca à alimentação, para além de querer garantir que ingeria uma dose considerável de calorias, também quis tomar tudo o que me pudesse ajudar a recuperar muscularmente, como a banana, o magnésio e spirulina - sábios conselhos do JF Massagista, que para além de ser um excelente massagista, lembrou-me destes pormenores importantes que podem fazer a diferença tendo em conta o elevado "stress" a que os músculos estão sujeitos num desafio destes.

Entretanto pedi à Lili para ir comigo neste treino, o que ela aceitou de bom grado e isso acabaria por ser uma grande ajuda, não só em termos logísticos - não precisava de levar cinto de hidratação, que acaba por ser algo incomodativo - mas principalmente porque me dava outra motivação ter alguém comigo, principalmente a Lili.

Este foi talvez o treino de viragem nas minhas sensações, uma vez que me senti bastante melhor, com mais energia, acabando por se refletir no ritmo abaixo de 4'30 por km.

A frequência cardíaca continuava a ser uma preocupação, tendo passado dos 140 bpm, deixando-me incomodado e a pensar que efetivamente o descanso poderia não ser o suficiente para recuperar o suficiente de treino para treino. Mas também existia a variável calor, onde inevitavelmente a FC sobe, pelo que no treino seguinte poderia estabilizar, o que de facto veio a acontecer.

Fica o terceiro treino:

Após mais um treino, estava na hora do primeiro banho. Sim, leram bem! Só tomei banho no final do terceiro treino. 🙈 As razões são simples: primeiro o desperdício de água, uma vez que iria estar a tomar banho muitas vezes em curtos períodos de tempo, depois porque seria mais tempo gasto que poderia aproveitar para descansar e, por último, dormi numa cama separada, pelo que podia fazê-lo sem incomodar ninguém. 😁

Após o banho, hora de ir almoçar, mas almoçar bem, o que significa comer muito mesmo, que a fome era grande e havia muito para gastar.

A seguir tentei dormir novamente, mas sem sucesso. Simplesmente ficar na cama já era bom para descansar o corpo minimamente. Aguardava novamente pela hora do novo treino.

Um dos pormenores deste desafio, que me criou sempre alguma ansiedade, era o facto de não saber com o que contar no treino seguinte, ou seja, eu não tinha não sabia se as pernas iriam responder bem, se iria ter alguma dor, quais seriam as sensações... para além disso, sempre que pensava que iria ter de sair novamente de casa para recomeçar a correr, não ficava propriamente com muita vontade... Mas felizmente, tinha sempre algum incentivo, fosse dos amigos que iam enviando mensagens, nas redes sociais, da Lili que estava a dar uma grande ajuda e incentivo e também de pessoas fantásticas que quiseram marcar presença num dos meus treinos, o que foi muito motivador.

Dia 1-maio - 18h00: 4º treino

Depois de novo aquecimento, estava na hora de começar o quarto treino e, alguns metros depois, vi o Armindo Santos, Isabel, Flávio, Susana e Verónica da FFWPU, equipa que tenho o prazer e orgulho de representar em algumas provas. Mais um grande incentivo para eu concluir esta aventura.

Assim, na companhia do Flávio, fiz este último treino do primeiro dia do desafio, com um ritmo semelhante ao do treino anterior e novamente com boas sensações. A FC diminuiu para valores de 135 bpm e efetivamente fiquei bastante tranquilo relativamente a esse aspeto.

Ao longo do treino, o facto do percurso implicar passar 19 a 20 vezes no mesmo local permitiu ao Armindo fazer uma sessão de fotos espetacular, pela qual só posso uma vez mais agradecer.

Ficam duas de muitas outras:


E como mostra a última foto, estavam quatro treinos concluídos, equivalendo a 50kms de corrida e consequentemente metade do objetivo estava alcançado.

Fica o treino no Strava:

Este treino foi sem dúvida muito prazeroso, tendo saído com boas sensações e muito mais confiança para o que faltava. Também pensei que faltavam cerca de 24h para acabar o desafio, portanto estava mais perto, apesar de ainda faltarem 50kms, os segundos, que seguramente custariam ainda mais do que os primeiros, ou pelo menos assim pensava nesse momento...

Dia 2-maio - 00h00: 5º treino

Após novo banho, tempo para jantar com tudo a que tenho direito! De seguida, tentar novamente dormir. Apesar de sentir o cansaço, com os olhos pesados, não consigo simplesmente dormir!

Nesta fase ainda comecei a pensar em alterar o plano que tinha definido inicialmente, colocando mais kms nos próximos dois treinos. Pensei fazer 15kms no quinto e sexto treinos, ficando com 10kms para fazer nos dois últimos. A ideia estava a agradar-me, mas uns minutos antes de começar o treino simplesmente achei que não fazia sentido, uma vez que não ganharia grande coisa com isso, podendo até a concentração de mais kms ser prejudicial. Assim, mantive o plano inicial e considero que foi a escolha acertada.

Preparado para mais uma vez sair para a rua com outros 12,5kms em mente... tenho todo o caminho só para mim e sigo na noite silenciosa. Treinar a estas horas pode ser pouco ortodoxo, mas não deixa de ser muito prazeroso. Com a temperatura ideal para correr, sem distrações, apenas tu a ouvir os teus próprios passos e a sentir as sensações do corpo... simplesmente o cenário ideal para uma corrida muito bem desfrutada.

Com este cenário, sai mais um bom tempo, novamente com um ritmo mais elevado do que o treino anterior:

Só me dava mais motivação!

Dia 2-maio - 06h00: 6º treino

Após novo descanso sem dormir, hora do 6º treino chegar, outra vez em solitário, a ver o nascer do Sol, apenas magnífico!

As pernas essas estavam muito bem, os kms pareciam não estar a fazer mossa e o ritmo a aumentar... Estava cada mais confiante e confortável, começava a sentir que ia cumprir o desafio e talvez com ritmos progressivos de início ao fim, o que não deixa de ser incrível.

Por vezes olhava para o relógio e o ritmo instantâneo já marcava 4'00, "obrigando-me" a controlar a euforia que já ia sentindo. Ainda faltavam uns bons kms, não podia simplesmente "explodir" nesta fase. A FC estava bastante controlada para os ritmos impostos, a rondar os 150 bpm.

Fica o treino com um ritmo muito interessante:

Acabo então mais um treino e estou simplesmente feliz com o resultado! A confiança em relação ao treino feito 24 horas antes estava muito superior ou não estivesse eu naquele momento com 75% do objetivo cumprido, faltando pouco mais de uma meia maratona para correr.


5 + 1 = olhos de sono! 😁


Dia 2-maio - 12h00: 7º treino, o penúltimo!

Agora é que eu já não consigo mesmo dormir, quero acabar isto com muita vontade. Aliás, com tanta vontade que, às 9h, já me apetecia equipar e ir novamente para a rua e fazer os 25kms de uma vez! Mas não era isso que tinha planeado e portanto vou querer cumprir à risca aquilo que tinha sido definido por mim quando ainda estava "sóbrio" das ideias.

E assim foi, pelas 10h30 levantei-me, comi novamente um prato de aveia enorme e mais minuto, menos minuto, equipo-me, seguindo novamente com a companhia da Lili para o sétimo treino.

Sabia que este iria ser mais difícil, primeiro porque era o penúltimo e não o tão desejado último, mas também porque estava mais calor do que no dia anterior e isso não me agravada rigorosamente nada.

Contudo, a confiança está em alta e logo que começo, o ritmo é vivo. Volta após volta sinto o calor a apertar e decido que vou beber água mais cedo (em todos os treinos até então bebi aos 5kms e 10kms, neste bebi aos 4kms e 8kms).

Mantenho um ritmo elevado decidido a fechar mais um treino com um ritmo melhor do que o anterior, o que acabou por acontecer.

Atividade no Strava:

Apesar do calor saiu mais um bom treino, com sensações muito boas e ficava apenas a 12,5kms de chegar aos 100kms!

Dia 2-maio - 18h00: 8º treino, 100kms!

Tinha a certeza que ia acabar, faltava saber como... queria acabar forte, abaixo de 4'00 por km, embora não o dissesse, mas claramente era o objetivo, fazer um treino forte. Ao mesmo tempo pensava que me ia desgastar mais e podia custar-me mais na recuperação. Mas ganhou a primeira ideia.

Assim, faço o aquecimento para arrancar para o último treino. Reparo que a minha FC só no aquecimento já estava nos 100 bpm. Não é normal, mas com tantos kms e sempre sem conseguir dormir, não era de admirar.

Batem as 18h00 e começo o treino! Neste momento não tinha que me poupar muito mais, ainda assim quis moderar o ritmo nos primeiros 3 / 4 kms antes de dar o "litro" na parte final.

Para minha felicidade iria ter a companhia de um amigo, o Pedro Pimentel, que conseguiu vir e andar alguns kms comigo. Apesar de não me ter acompanhado ao meu ritmo, a sua presença foi muito boa para me motivar e incentivar a impor um excelente ritmo, agradecendo-lhe uma vez mais a sua presença.

A partir do km 4 decidi então tentar aumentar mais o ritmo, mas tendo em conta que já ia a 3'48/3'49 e com o corpo já cansado, não ia dar para muito mais. Contudo, ainda faço alguns kms a 3'40'/3'41 até que simplesmente já não tinha pernas para muito mais, era tempo de aguentar ao máximo o ritmo possível para acabar com um tempo já de si muito bom.


Chego à última volta no percurso e dou tudo o que tenho! Vou em direção a casa já com a Lili a aguardar-me e acabo o último treino com tudo o que tenho para dar! 100kms feitos com um último treino muito bom, que não imaginava conseguir fazer com este nível quando comecei o desafio. Foi efetivamente uma bela surpresa ter acabado desta forma.


Atividade no Strava:

Claramente foi o treino mais duro e exigente dos oito e acabei bem mais cansado, o que se refletiu nestes primeiros dias de recuperação. Mas sem acabar desta forma, sabendo que tinha esta capacidade não seria a mesma coisa, tinha que dar o que tinha.

Algumas fotos do último treino:
Para este último treino, usei uma camisola especial da Maratona de Valência

A minha companhia e incentivo ao longo de quatro treinos. Obrigado 😍

100kms!


O fenómeno das redes sociais

Conforme disse no início, após fazer o post onde partilhei o desafio que ia fazer, houve um conjunto de pessoas que quiseram também aderir ao mesmo, para além dos amigos do clube CCDR, o que acabou por ser incrível!

Após cada um dos treinos fiz um post nas redes sociais para dar conta do sucedido e foi brutal o incentivo recebido que também me motivou ao longo destes 100kms e 48h (na verdade cerca de 43h), pelo qual apenas tenho a agradecer a todos os amigos que me acompanharam.

Houve também quem adaptasse o desafio, tendo algumas pessoas feito menos de 100kms, outras feito até mais alguns kms e outras prolongaram o desafio pelos três dias do fim de semana prolongado.

Não sei no total quantas pessoas foram participaram, mas acabou por se criar uma dinâmica muito boa, que culminou em muitas pessoas tentarem superar-se!

Destaco o clube CCDR onde 16 amigos participaram neste desafio, totalizando 869,29kms, o que é incrível!

Fica a foto resumo:


Mas não se ficou por aqui, houve outros amigos que participaram neste desafio!

Ficam os que tenho conhecimento que finalizaram o fim de semana com 100kms ou mais (se tiverem conhecimento de mais alguém, coloquem nos comentários para adicionar à lista):

Bruno Allen: 100kms (sexta e sábado): grande máquina, fez praticamente o mesmo plano que eu e com tempos semelhantes.

Bruno Maia: 100kms (sexta e sábado): que dizer de alguém que uma semana antes tinha feito 7 maratonas em 7 dias na passadeira e ainda tem energia física e mental para este desafio? Simplesmente fenomenal, grande máquina, outro campeonato!

Filipe Guerra: 100kms (sexta e sábado): em apenas 5 treinos fazer 100kms, julgo que em cerca de 36 horas, com 4 meias maratonas. Apenas incrível!

Hélio Costa: 100kms (sexta e sábado): com poucos treinos nas últimas semanas, faz 100kms juntamente com o Filipe, duas grandes máquinas!

Luís Cardoso: 100kms (sexta e sábado): juntou-se ao desafio e seguiu exatamente o mesmo plano que eu, com tempos também semelhantes, máquina!

Miguel Gonçalves: 105kms (sexta a domingo): este menino não queria fazer o desafio, mas depois acabou por ser o "campeão" da distância! Venham mais, diz ele!

Pedro Santos: 100kms (sexta a domingo): se há alguém que continua constantemente a surpreender, é o Pedro. Faz quase 90kms entre sexta e sábado e em ambos os dias esteve trabalhar! Como não ficou satisfeito ainda chegou aos 100kms no domingo. Simplesmente fenomenal!

Rogério Palmeiro: 105kms (sexta a domingo): não conhecia o Rogério, mas valeu muito a pena seguir o que fez. Foram 100kms em 3 dias, mas não se deixou ficar por aí. Quis fazer os 100kms em trail e com 3000D+! É preciso ter pernas e cabeça para isto!

Pedro Amaro: 100kms (48h): já falei demasiado de mim 😁


Em resumo, fomos pelo menos 9 a fazer 100kms, o que é um número brutal!


Em jeito de conclusão, agradecer uma vez mais a todos os que foram acompanhando e incentivando ao longo deste desafio. Gostei muito de toda a dinâmica criada em torno do mesmo. Apesar disso, não me vejo a fazer novamente algo deste género. Gosto muito de fazer treinos mais longos e desafiar-me, mas o objetivo deste desafio foi atingido, que passava principalmente por perceber como o corpo e a cabeça reagiam fora da zona de conforto, onde não sabia bem o que esperar ao longo de cada treino, como os kms se iam fazer sentir-se nas pernas. 

Fazer mais de 42kms (o máximo que já tinha feito num dia), foi novidade e apesar dos períodos de descanso entre os treinos, acabou por dar uma muito boa ideia do que é correr uma distância mais longa. Obviamente que fazer 100kms de forma seguida não tem nada a ver, o cansaço será muito superior. Ainda assim, meter 100kms nas pernas em menos de 48h foi um excelente exercício para perceber até que ponto pode ser algo interessante para tentar no futuro (muito longínquo, seguramente).

Alguns números e curiosidades

1 - Tempos obtidos em cada um dos treinos e o acumulado:

 Data / horaDistância (km)  Pace Tempo Tempo acum.
 1-MAI/00:00 12,5 04:41 58:38 00:58:38
 1-MAI/06:00 12,6 04:38 58:2801:57:06
 1-MAI/12:00 12,6 04:28 56:1202:53:18
 1-MAI/18:00 12,5 04:30 56:1003:49:28
 2-MAI/00:00 12,7 04:20 55:0104:44:29
 2-MAI/06:00 12,7 04:13 53:3505:38:04
 2-MAI/12:00 12,7 04:10 52:4906:30:53
 2-MAI/18:00 13,0 03:45 48:3907:19:32

2 - Nunca tinha feito mais de 90kms numa semana, nem nas semanas de treino para a maratona. Esta semana cheguei aos 117kms, máximo absoluto!

3 - Igualmente nunca tinha feito mais do que um bi-diário. Com este desafio fiz 4 treinos por dia (será qua-diário? Quadriário? Ou quadri-diário?...).

4 - No total dos 8 treinos, dei 154 voltas ao circuito de pouco mais de 600m onde corri! Já se imaginaram a correr este tempo todo no mesmo local? Foi interessante e sinceramente não me incomodou tanto quanto isso. Se fizesse os 100kms seguidos talvez mudasse de opinião...


Não esperava fazer um post tão grande, mas bom... quem chegar ao fim é porque terá tido bastante paciência para ler o que escrevi 😁

Um abraço e bons treinos!

Pedro Amaro

Challenge GFD Running 7º Aniversário - Regresso às "provas"

Um cheirinho de competição! A comemoração do 7º aniversário do GFD Running, com o desafio de fazer 10kms em ritmo de competição, foi o momento ideal para testar o meu atual momento de forma.
Como disse no artigo anterior, tenho mantido os meus 5 treinos por semana, mas sem a inclusão de séries ou fartleks, tendo previligiado treinos com algum acumulado. 
Assim, esta "prova" acabou por me entusiasmar, levando-me a querer dar o meu melhor e também contribuir para uma boa iniciativa, da celebração do aniversário do GFD Running, um clube que tem contribuído de forma exemplar para o desenvolvimento de muitos e bons atletas que, como a maioria de nós, são amadores, embora alguns deles com performances de topo nacional!

O desafio passava então por fazer 10 kms em que deveríamos começar e acabar à porta de casa. Defini então que o local onde faria o meu "teste" seria um circuito com cerca de 650m com ligeiras subidas e descidas, mas bastante rolante, distando cerca de 200m de casa, sendo ideal para me testar física e mentalmente, uma vez que seriam precisas cerca de 14 voltas para completar os 10kms.



Depois dos meus habituais 30 minutos de reforço muscular, saí de casa, aqueci e com algum entusiasmo comecei então o desafio! À medida que os minutos iam passando, ia fazendo mais ou menos contas para ver se dava para fechar abaixo dos 35 minutos. As sensações aos 5kms eram boas, mas ainda faltam umas quantas voltas à minha "pista" e a partir dos 7kms, começou a ficar mais difícil manter o ritmo. 
Por muito que queiramos, é sempre diferente correr numa prova face a correr sozinho num desafio destes... Ainda assim, consegui ir mantendo o ritmo, com o relógio a marcar um ritmo médio de 3'26" a passar os 9kms. Nesta fase é quando já me sinto como "peixe na água" e o último km é para dar tudo!

Após a última volta ao circuito, sigo em direção a casa, com o ritmo instantâneo de 3'00"! E está feito! 10kms com o registo de 34'31"!

Registo no Strava, onde podem seguir todas as minhas atividades 💪

Respiração forte é altura de caminhar uns metros e recuperar o fôlego, mas também de ficar contente com o meu belo registo. Segundo o meu Strava, trata-se de um record aos 10kms. Obviamente não conta uma vez que o relógio tem sempre uma margem de erro, mas não deixa de ser um excelente sinal da boa forma em que estou. 😁

A minha cara de morto minutos depois de acabar 😩

Valeu o esforço...

Depois de um belo descanso ao longo do dia, às 21h vamos lá assistir à live dedicada ao aniversário do GFD Running. Com o tempo que fiz, estava curioso para saber se não teria ficado nos três primeiros, que teriam direito a uma massagem... depois de mais uma bela hora a ouvir o grande António Sousa, o Ernesto Ferreira, o Avelino Eusébio e outros ilustres convidados a falar sobre os seus percursos, sobre o GFD Running, sobre corrida no geral e a preparação para a maratona (podem acompanhar estas lives no instagram do GFD Running), foram revelados os vencedores do desafio. E o Ernesto começa por referir que eu tinha ficado em 4º lugar e que, apesar de ficar fora dos três primeiros, todos eles do GFD Running, tinha feito um excelente tempo, sendo o "1º não GFD" e por esse motivo teria direito igualmente à massagem. Agradeço as simpáticas palavras do Ernesto e fico bastante contente pelo reconhecimento. Só me deixa mais motivado para manter o foco, numa altura complicada para todos e em particular para os que gostam de correr e de competir.

Para finalizar apenas parabenizar uma vez mais o projeto do GFD Running e que continuem com o excelente trabalho. Espero voltar a encontrar muitos dos seus elementos nas provas por este país fora, tanto a correr, como a colaborar ativamente em diversas corridas 👏👏


Classificação:


Nota: foi anunciado um problema técnico que impossibilitou a inclusão do atleta Bruno Gaspar que acabou por ganhar o desafio com 33:38, ficando eu em 5º, mantendo a massagem desportiva como prémio para os 5 primeiros.

Correr nos dias de hoje...

Será que devo correr? Correr é proibido? Devo deixar de correr? Exercitar-me em casa é a melhor opção? Comprar uma passadeira para correr em casa? Evitar sair à rua? Correr faz mal? Qual é o objetivo de correr agora que não há provas? Porque corro?...

Quando me falam que não posso correr...

Podia continuar com mais e mais destas (aborrecidas) questões que hoje em dia se têm viralizado, tanto quanto o COVID-19... nunca vi tanta discussão nas redes sociais sobre se se deve ou não correr na rua, o tempo que se deve correr, etc etc... Não vou querer alimentar essa discussão uma vez que apenas me fará perder tempo e não me enriquece em nada, para além do ódio imenso que tenho visto e nunca imaginara existir quando se fala em corrida.

Deste modo, escrevo este primeiro artigo do blog acerca do que tenho feito neste período já longo de confinamento. Desde o dia 12 de março que estou a trabalhar a partir de casa, o que se trata de uma mais-valia face a muitos milhares de pessoas que infelizmente não têm essa possibilidade. Esta circunstância não me impediu de continuar a treinar, até porque vivo numa zona onde existe amplo espaço (já antes havia) onde posso correr e ter os devidos cuidados para o fazer em segurança.

Adicionalmente, trabalhar em casa permite-me dar mais atenção a um aspeto que acredito que, muitos como eu, acabam por descurar: o reforço muscular. Não sendo especialista na área, nem perto disso, tento realizar algum trabalho de reforço com exercícios relativamente simples (tecnicamente), que acredito trarão benefícios futuramente. Tenho feito pequenas sessões diariamente e até ao momento tenho sentido que está a ser uma mais valia. Talvez apenas veja reflexos práticos deste trabalho quando voltarmos à normalidade (seja quando lá quando isso for - já há quem fale no final de 2021...), mas independentemente disso tenho tido algum gosto em trabalhar no reforço muscular, estando a tornar-se um hábito, um bom hábito, acredito.

Não se assustem quando me virem após a quarentena 😎

Relativamente aos treinos de corrida, a frequência tem sido a mesma, 5 vezes por semana, por norma terças, quartas, quintas, sábados e domingos, com os descansos na segunda e sexta. O volume semanal de kms acaba por ser relativamente semelhante, mas com uma grande diferença, a intensidade. Os treinos de séries e fartleks acabaram e nestas semanas tenho corrido simplesmente pelo prazer de correr. Talvez possam achar absurdo e para muitos o facto de não haver uma prova no horizonte, é sinónimo de desmotivação. Para mim, pelo contrário, tem sido prazeroso, correr apenas porque quero correr e me sabe bem. Já o faço quando tenho determinada prova alvo, mas neste momento, o facto de não me preocupar com ritmos e não forçar o corpo a determinados esforços, correr apenas porque gosto de o fazer, dá-me prazer, principalmente depois de estar um dia inteiro em casa.

Não é por isso que deixo de correr a 4' / km se assim o entender e me apetecer, mas tenho optado por correr com liberdade e sem aquela "pressão" que colocamos a nós próprios para atingirmos determinadas marcas.

Outro pormenor interessante tem sido o facto de ter optado por correr em locais que desconhecia. Vivo numa Urbanização da Bobadela há cerca de 2 anos e meio e 99% dos meus treinos quando os iniciava a partir de casa, foram sempre em direção ao Parque das Nações que fica a pouco mais de 1km de distância. Com o objetivo de correr em locais mais isolados, acabei por começar a correr na direção oposta - em direção a Bobadela, São João da Talha, Santa Iria da Azóia, etc... - o que me permitiu conhecer muito melhor toda a zona envolvente donde vivo.

De referir que estas zonas são bastante mais acidentadas, ao contrário do Parque das Nações que é praticamente plano. Assim, o acumulado dos meus treinos subiu consideravelmente nas primeiras semanas. Contudo, nas últimas semanas, o meu gosto pelas subidas cresceu e tenho aumentado cada vez mais o acumulado. À data a que escrevo, segundo o Strava tenho 4.624m de acumulado em abril, tratando-se de um record por larga margem, apesar de ainda ter mais uns quantos treinos para finalizar o mês! (É caso para dizer: Qual Kilian, qual quê?)

Para finalizar a descrição das minhas corridas, tenho ainda optado por fazer algo que me dá um certo gozo, tentar bater records dos segmentos do Strava. 😁 Um segmento é um percurso que alguém gravou no Strava e onde é possível efetuar uma classificação de todas as pessoas que passaram nesse mesmo percurso. Neste caso o objetivo passa por ser o mais rápido desse segmento.
Nesta quarentena não sei quantos segmentos já "limpei" (como costumo escrever nas atividades do Strava), mas por certo mais de 10. Tem a sua piada querer ser o corredor mais rápido naquele local e acaba por criar uma certa competição.

Quando vejo um segmento novo!

Assim têm sido os meus treinos durantes estas longas semanas de confinamento, onde tenho aproveitado por correr como um bom momento de descompressão, obviamente com a segurança necessária. Como todos, espero que este período acabe rapidamente, mas também acredito que não voltaremos à normalidade pré-COVID sem que exista uma solução segura, pelo que nos próximos meses dificilmente teremos provas em perspetiva. Deste modo, acredito que o melhor é aprendermos a viver da melhor forma com as condicionantes que se manterão durante os próximos meses e com os cuidados que necessitaremos de ter, sempre com uma perspetiva otimista de que esta fase complicada acabará.

Até lá, bons treinos e desfrutem da corrida,
Pedro Amaro

Apresentação Amaro Running


Olá, para quem não me conhece, o meu nome é Pedro Amaro, tenho 30 anos e corro com frequência desde abril de 2015. Entenda-se frequência como pelo menos uma vez por semana, tendo ao longo destes cerca de 5 anos evoluído (muito !!!), tanto na frequência de treinos, como de performance. Sou 99% um corredor de estrada, tendo tido muito poucas (mas muito boas) experiências em trail, onde seguramente quererei investir mais tempo no futuro.

O Amaro Running nasceu há alguns meses com o propósito de poder escrever e partilhar algumas das experiências que vou tendo na corrida. Ao longo destes 5 anos tive muito boas experiências (amigos, superação, records, puro prazer de correr...) e algumas menos boas (lesões, provas menos conseguidas), que infelizmente não ficaram registadas com as minhas ideias e pensamentos em lado algum.
Tendo noção da importância que é a estruturação e a recordação das nossas ideias, até para nos "obrigar" a pensar no que correu bem e menos bem ao longo deste percurso, decidi então optar pela criação de um blog. Após algum tempo em que a ideia esteve "parada", aproveitei o atual período de confinamento para me dedicar a esta iniciativa e decidi finalizar configuração do mesmo (não sou propriamente um expert na matéria), nascendo assim o Amaro Running!

O objetivo passará por escrever sobre o meu dia-a-dia na corrida, não tendo, contudo, qualquer definição de periodicidade para novas publicações, principalmente tendo em conta este período de suspensão de provas e em que os treinos são essencialmente para manutenção.

Aproveito para apresentar a estrutura do blog que possui as seguintes quatro secções: 
Página Inicial - conteúdo principal onde estarão as publicações do blog; 
Melhores Tempos - informação sobre os meus melhores tempos nas diversas distâncias, desde 1KM à Maratona; 
Provas Realizadas - informação sobre o meu histórico de provas (53 até à data); 
Contactos - podem encontrar todos os meus contactos e respetivos links para e-mail, redes sociais e aplicações de corrida que uso.

Em todas as secções encontra-se à direita a informação da minha página no Facebook e da minha conta no Strava onde poderão seguir todo o conteúdo que publico e os treinos que efetuo (apenas visível na versão web).

E desta forma me apresento, esperando que gostem deste meu novo espaço e possam acompanhar o meu trajeto de uma forma mais próxima, onde tentarei partilhar algum conteúdo sobre a minha vida no mundo da corrida.